Internet completa 20 anos: conheça a história!
Já são mais de 200 milhões de sites, mais de 1 trilhão de URLs e quase 2 bilhões de usuários
Há 20 anos, um cientista inglês chamado Tim
Berners Lee sonhou com uma nova maneira de
professores e pesquisadores trocarem informações
ao redor do mundo. Ele mal sabia que essa idéia
dele, a princípio restrita ao meio acadêmico,
cresceria a ponto de ter mais de 200 milhões de
sites, mais de 1 trilhão de URL´s e quase 2
bilhões de usuários, apenas duas décadas depois.
No início, tudo era diferente. O backbone entre
Brasil e Estados Unidos era de 9 kbps. Ou seja,
hoje, uma linha telefônica oferece 6 vezes mais
velocidade do que toda a ligação entre os 2
países no final da década de 1980.
“Hoje não dá para fazer nada com isso, ninguém
se contentaria. Texto é muito econômico se
comparado com imagem. Dizem que a imagem vale
mais do que mil palavras e deve valer mesmo.
Então, na época a gente pensou que a imagem ia
atravancar completamente a rede e que nós
iríamos perder condição de transferir a
informação de um lado para o outro - quando
apareceu a web, em 1993. Por sorte, nessa época
os meios de comunicação melhoraram muito. Por
exemplo, no Brasil, a comunicação feita por
Estados era feita por microondas de superfície.
Torres com rádios microondas que a Embratel
operava e que cobriam a costa do Brasil. É muito
difícil eu ter banda nessa estrutura. Quando
apareceu a fibra óptica, aí sim a coisa muda,
porque fibra óptica é infinitamente maior do que
microonda de superfície. Então, com isso nós nos
provamos enganados, na verdade é possível ter
imagem e é possível ter vídeos. Certamente, se
alguém perguntasse nos anos 1995 ou 1996 se era
possível uma site como o YouTube, a resposta
seria não”, explica o diretor presidente do Nic.br,
Demi Getshcko.
Em março de 1993, a Fundação de Ciências dos
Estados Unidos decidiu que a rede não estaria
mais restrita às instituições acadêmicas. Um mês
depois, a tecnologia já estava disponível para
quem quisesse utilizar.
“A internet, inicialmente, não tinha toda o
componente web nela. Tinha correio eletrônico,
tinha sites para FTP, tinha até o NET, que
permitia a gente entrar numa máquina e controlar
remotamente, mas não tinha a coleção de sítios
que nós vemos e que surgiram com a world wide
web, com a HTML e http”, esclarece Getshcko.
Com cinco anos de existência, a internet já
chamava atenção dos, digamos assim, mais nerds.
Quem viveu essa época se lembra do Mosaic, o
primeiro navegador disponível no mercado. Era o
boom da internet. De 130 sites no mundo inteiro
em 1993, a rede saltou para mais de 12 mil no
ano seguinte.
Aos 10 anos, ou seja, em 1999, a internet já era
conhecida pela maior parte da população. Os
browsers mais modernos, naquela época o Netscape
e o Internet Explorer, já conseguiam exibir
áudio e vídeo. Javascripts e controles ActiveX
começavam a surgir. Era, também, o início do que
hoje se tornou quase um monopólio na rede: surge
o Google na Califórnia.
“O Google conseguiu implementar isso numa escala
muito grande. Eu me lembro na época do Alta
Vista, uma varrida na rede eles anunciavam que
aquilo levava por volta de 15 dias. Quer dizer,
o que eles encontravam na rede podia ser 15 dias
velho. Era difícil varrer uma rede do tamanho da
internet já naquela época. Imagine uma internet
muito maior e o Google consegue varrer isso em
um dia. De um dia para o outro você já tem a
informação no buscador. Então, eles conseguiram
dar muito poder ao processamento fazendo o
processamento que é chamado de nuvem, que são
milhares e milhares de computadores ligados
entre si, nenhum deles sendo importante, podem
cair dezenas deles que ninguém nota. E esse
conjunto dá um poder de ocmputação muito grande,
por isso eles conseguem fazer um serviço
bastante eficiente”, conta o especialista.
O crescimento era exponencial. Em 2004, aos 15
anos de existência, a internet passou a servir
de base para as compras online. Apesar de sites
como EBay e Amazon já existirem desde os anos
90, foi nessa época que eles anunciaram o
primeiro saldo positivo em suas finanças. As
pessoas começaram a confiar na rede,
utilizando-a, inclusive, para serviços bancários
com frequência. Uma outra mudança foi a maneira
como as pessoas passaram a interagir umas com as
outras por meio da internet. Era o início das
redes sociais. Orkut, Facebook, Myspace... E com
o crescimento dos blogs, as pessoas começaram a
ter o hábito de prover conteúdo ao invés de
apenas consumi-lo.
“A internet já foi criada colaborativamente, em
geral tudo o que se encontrava na rede estava
aberto para você poder alterar contribuir e
melhorar. Então, eu acho que a Wikipedia é o
coroamento de uma tendência de você ter boas
ações de uma porção de gente gerando um conteúdo
bastante útil”, afirma o diretor.
Agora, aos 20 anos, a internet é parte
integrante da vida das pessoas. Afinal, você
consegue se imaginar sem ela? As conexões estão
cada vez mais largas. Hoje, no Brasil, já
existem empresas oferecendo até 100 mega de
velocidade. Isso significa, obviamente, a
possibilidade de ofertar cada vez mais conteúdo
multimídia. Só o Youtube recebe 15 horas de
vídeo a cada minuto! Consegue imaginar o que é
isso? E a internet está, cada vez mais, saindo
dos computadores para os dispositivos móveis. O
próximo passo de tudo isso? Fica difícil
imaginar.
“Em breve, o seu Twitter não vai ser você
avisando o seu pessoal que você vai em
determinado bar hoje à noite, mas vai ser a sua
geladeira avisando que acabou o estoque de
cerveja e que você precisa providenciar mais.
Então você vai receber um tuíte da geladeira
dizendo ‘providencie’, e você vai mandar um
tuíte para o supermercado dizendo ‘quero mais
duas caixas de cerveja porque a minha lá em casa
já esgotou-se’. Então, o próximo passo talvez
seja essa interação de objetos, como estão
dizendo aí a ‘Internet das Coisas’”, conclui
Getshcko.
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